Críticas do 10º dia do Festival de Veneza 2026

Back To Buenos Aires (Marco Bechis)

“Em última análise, esta é uma história envolvente que lança luz sobre um dos horrores políticos mais sombrios do século XX, deixando claro que suas consequências psicológicas ainda reverberam nos dias de hoje. É também uma análise profundamente pessoal e notavelmente complexa dos danos duradouros causados pelo trauma.“

Next Best Picture (80/100)

“Cinquenta anos após os acontecimentos retratados em ‘Garage Olimpo’, o estarrecedor relato de Marco Bechis sobre tortura e assassinatos cometidos na Argentina pelas mãos de uma brutal ditadura militar, ‘Back to Buenos Aires’ retoma os fragmentos despedaçados deixados nos sobreviventes em uma obra igualmente sombria e intensa.“

The Film Verdict

“Antes de tudo, ‘Back to Buenos Aires’ é um retrato do trauma psicológico, que se debruça intensamente sobre o impacto emocional que seu protagonista sofreu e continua sofrendo 30 anos depois. Em Giannini, Bechis encontrou um excelente intérprete desse trauma. Seu Mariano é um homem introvertido não por natureza, mas por força das circunstâncias psicológicas, assombrado pelo passado, e Giannini, frequentemente filmado em primeiros planos extremos, deixa transparecer tudo isso em seu rosto.“

ICS (80/100)

“Vários elementos de ‘Back to Buenos Aires’ não chegam a se encaixar muito bem, a começar pela peculiar mise-en-scène, que evoca filmes de terror, com corredores vazios e mal iluminados, silêncios sinistros e personagens isolados, e o film noir, com sombras projetadas por persianas antigas e muitos cigarros. As sequências de flashback inevitavelmente ganham uma tonalidade muito marrom, já que nenhuma evocação dos anos 1970 seria considerada convincente se o marrom não predominasse.“

Variety

A Bit of Light (Ali Asgari)

“Uma das muitas qualidades do filme de Ali Asgari, é a maneira como ele evita reabrir os óbvios e pesados debates pessoais, sociais e teológicos em torno deste que é um dos temas mais delicados. Não é um filme leve, tampouco indiferente ao valor de uma única vida humana. Simplesmente não está preso a um sentimentalismo defensivo e parte do princípio de que uma pessoa lúcida vivendo no Irã contemporâneo pode escolher tirar a própria vida, em seus próprios termos.“

IndieWire (91/100)

“Há um comentário cativante sobre valorizar as alegrias da vida que, no geral, é bastante envolvente. A atuação principal de Misagh Zareh é cativante, e os personagens coadjuvantes também têm momentos marcantes. A direção aposta em longas cenas filmadas em planos ininterruptos, o que pode fazer o ritmo se arrastar. Embora seus temas sejam interessantes, eles também são formulaicos e pouco originais.“

Next Best Picture (60/100)

“É um relato profundamente comovente sobre um homem desviado de seu caminho pelo desespero. Trata-se de uma realização discreta e despojada, que coloca o foco no roteiro cuidadoso e na qualidade das atuações. A câmera contemplativa reflete a imobilidade do personagem central; Asgari acerta ao resistir à tentação de preencher com música os silêncios carregados de significado.“

Screen Daily

“Essa dicotomia entre a rotina depressiva e a faísca de algo empolgante, ou até mesmo irritante, permeia cada relação e esclarece, para o espectador, o estado de espírito de Arash à medida que suas razões são reveladas. Ela também confere tons calorosos e familiares às dinâmicas entre os personagens que se entrecruzam. Qualquer que seja a resposta para os problemas de Arash ao final do filme, se é que existe alguma, seus momentos de alívio ganham coerência por meio de uma combinação de delicadeza e provocações certeiras, resultando em um filme que, embora percorra um território melancólico, acaba sendo incrivelmente afirmativo da vida.“

Variety


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