Confira as críticas do 3º dia do Festival de Veneza

Mr. Nelson, Did You Kill People? (Shinya Tsukamoto)

Alternando entre ocasionais pastiches da negritude na cultura pop (geralmente na forma de violência) e uma completa e total ausência de especificidade racial, acaba se tornando um simulacro sem vida sobre a morte e sobre como a guerra transforma pessoas comuns em assassinos, por meio da desumanização tanto das vítimas quanto dos perpetradores. É um objetivo admirável, mas empreendido com tamanha distância cultural e falta de curiosidade que chega a ser desconcertante, muito mais do que intrigante ou instrutivo.

IndieWire (33/100)

O filme não se esquiva de mostrar e explorar os aspectos brutais da humanidade e a rapidez com que as pessoas podem se perder na busca pelo que acreditam ser um “bem maior”. Mas também exagera tanto no melodrama que isso acaba se tornando uma distração e torna a experiência bastante arrastada.

Next Best Picture (50/100)

Parece haver dois filmes disputando a supremacia aqui. Um é um filme de guerra à moda antiga, que reserva espaço para o trauma de soldados individuais sob o argumento de que eles não tinham muita escolha pessoal. O outro apresenta uma visão mais dura de um inferno na Terra criado pelo homem, que violou praticamente todos os princípios do direito internacional humanitário e contou com a participação ativa de homens comuns que cometeram crimes extraordinários. As duas perspectivas coexistem de maneira desconfortável. Conciliá-las exigiria um domínio lúcido da matéria-prima da história, algo que não se evidencia aqui.

Screen Daily

A Place to Heal (Cédric Kahn)

O diretor Cédric Kahn combina compaixão com um olhar forense, frio e detalhista neste filme que desafia os gêneros e coloca um conturbado triângulo amoroso no centro da história. O filme de Kahn é potente e engajado, embora, às vezes, as atuações se aproximem de um teatro juvenil improvisado e de tom exageradamente declamado.

The Guardian (80/100)

Um filme inferior, com uma abordagem igualmente disposta a romper tabus, correria o risco de explorar seus temas em busca de uma provocação injustificada. Há alguns raros momentos em que o filme ultrapassa os limites e adentra um território talvez desconfortável demais para acrescentar algo significativo à história. Mas isso pouco diminui o que é uma jornada profundamente comovente, conduzida com maestria, para dentro e para fora deste lugar de cura meticulosamente retratado.

IndieWire (100/100)

O cineasta francês Cédric Kahn mergulha o espectador no mundo caótico de uma instituição psiquiátrica destinada a adolescentes. O filme é marcado por uma energia intensa. Zoé Monpart e Malou Khebizi se destacam pelas atuações. A obra carece de foco e não explora como deveria as complexidades desses jovens. Alguns personagens parecem mais estereótipos do que pessoas reais. No fim, a maioria deles fica sem uma resolução.

Next Best Picture (60/100)

Estritamente como trabalho de atuação, o novo filme de Kahn é envolvente, capturando as sutilezas e os excessos de adolescentes em meio à depressão, à bipolaridade e a outros transtornos emocionais. Mas, como narrativa, nunca chega a se constituir como um conjunto suficientemente poderoso, com uma parte final que toma um rumo improvável demais.

The Hollywood Reporter

O resultado remete a ‘Entre os Muros da Escola’, de Laurent Cantet, com seu estilo igualmente documental e foco nos jovens, ou ao trabalho mais rigoroso dos irmãos Dardenne, da Bélgica — pelo menos até o ato final, que rompe brevemente e de maneira bastante tocante com esse registro para se aproximar de uma ficção mais romantizada. Essa mudança inesperada pode dividir o público, embora seja um desvio bem-vindo em um filme que, apesar de bastante comovente, não chega a ser totalmente original.

Variety

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