Cannes 2026 – Críticas do 10º dia

The Black Ball (Javier Ambrossi & Javier Calvo)

“Embora seja tecnicamente correto dizer que este é o primeiro longa da dupla criativa espanhola, parece mais verdadeiro afirmar que eles fizeram quatro filmes e, magicamente, os contiveram na forma de um só. É quase impossível compreender o esforço estrutural necessário para criar, com fluidez, uma única história perfeitamente coesa a partir de três narrativas contadas em três linhas temporais distintas, cada uma com uma identidade visual própria. Cada uma dessas três histórias é primorosamente construída em seus próprios termos individuais, e o tríptico se torna deslumbrante quando as rimas internas, sutilmente semeadas, começam a formar uma quarta camada subjacente coesa. O roteiro é perfeito, ou bem perto disso, com uma estrutura refinada que garante que cada episódio em uma linha temporal enriqueça seus equivalentes nas outras, tanto em nível narrativo quanto temático.”

IndieWire (100/100)

“‘La Bola Negra’ é uma comovente e oportuna retomada da cultura queer espanhola do início do século XX, soterrada e reprimida ao longo da história. É impossível não admirar a paixão que a dupla de diretores Javier Calvo e Javier Ambrossi traz para esta narrativa de três linhas temporais, baseada em uma peça de 2013 do corroteirista Alberto Conejero. Mas La Bola Negra também é um melodrama expansivo e indisciplinado, que almeja a complexidade multifacetada do vintage Pedro Almodóvar — que aqui atua como produtor associado —, sem, contudo, alcançar o domínio seguro e elegante que o mestre madrilenho tem sobre a narrativa.”

Screen Daily

“Se ‘The Black Ball’ ocasionalmente alcança uma nota poética digna de seu muso histórico, com mais frequência soa como um melodrama pomposo e excessivamente inflado, com seus temas expostos de maneira grandiloquente por meio de linhas narrativas que se cruzam de forma esquemática.”

Variety

“Um épico gay em forma de tríptico que atravessa décadas e confronta um período particularmente sombrio da história moderna espanhola. Essa combinação sedutora entre uma sensibilidade pop contemporânea e um cinema de feição clássica possui uma força inebriante, conduzindo-nos por uma jornada ampla, melancólica e frequentemente engraçada de recordações e fantasia. Já estava mais do que na hora de existir um épico de guerra gay com essa escala, sensibilidade e inventividade.”

The Hollywood Reporter

“Os Javis criaram algo verdadeiramente único. Mas também, e isso pode soar involuntariamente depreciativo, algo acessível. Frequentemente parece manter um pé no cinema independente e o outro na porta do cinema de estúdio, mais comercial. Nos primeiros momentos do filme, isso chega a causar estranhamento (especialmente no contexto de um festival como o de Cannes). Ainda assim, quando o magistral e sinfônico clímax final explode em cena, esse contraste se torna tão impactante que talvez seja preciso recuperar o fôlego. No fim, funciona, e funciona de maneira brilhante.”

The Playlist (91/100)

Coward (Lukas Dhont)

“‘Coward’ parece, de forma agradável, um passo à frente na filmografia de Dhont. O filme continua suas investigações temáticas sem apelar para as táticas de choque e tragédias que tornaram ‘Girl’ e ‘Close’ tão divisivos. É o filme mais maduro do cineasta até hoje.”

Variety

“Dhont é mestre em dirigir jovens atores. Porém, aqui, são dois protagonistas sem química: um inexpressivo e outro muito teatral. O que afunda ‘Coward’ é a grandiosidade autoconsciente do diretor, que tenta forçar grandes cenas de emoção em momentos que parecem vazios e artificiais.”

The Hollywood Reporter

“Normalmente, os filmes de guerra capturam a brutalidade e a insanidade do combate, mas ‘Coward’ encontra algo muito mais raro: a ternura. Os dois protagonistas exalam uma sintonia tão vulnerável e genuína que compensam a previsibilidade potencial do roteiro.”

Screen Daily

“Basicamente, ‘Coward’ se assemelha mais a um álbum de recortes do que a um romance. Ele funciona como uma história oral e musical, rica em detalhes de época, apresentando suas preocupações narrativas e temáticas muito cedo e nunca realmente indo além delas.”

The Wrap

“O que ‘Coward’ faz é transformador. É Dhont em seu momento mais terno e maduro, moldando uma obra impressionante e um dos melhores filmes do ano, de qualquer ano. Um trabalho que traz fendas profundas de gênero, sexualidade e, ouso dizer, esperança.”

Awards Watch (100/100)

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