Veneza 2022 – World War III

Avaliação: 2.5 de 5.

‘World War III’ de Houman Seyedi é um filme sobre exploração, mas resumi-lo a isso parece subestimar a sua história. Embora nem todas as suas tentativas funcionem, o filme de Seyedi é algo mais complexo do que aparenta ser em um primeiro momento. O filme acompanha um trabalhador chamado Shakib (Mohsen Tanabandeh). Ele possui uma relação peculiar com Ladan (Mahsa Hejazi), uma garota de programa que é surda e muda. Um dia, Shakib é contratado para trabalhar em um épico filme sobre a Segunda Guerra Mundial. Ele começa trabalhando como um figurante aos dias e como guarda dos equipamentos da equipe de noite, mas quando o ator que está interpretando Hitler tem uma ataque cardíaco, Shakib é escalado para substitui-lo. Como parte do elenco principal, a equipe empresta uma casa vermelha que é parte da produção do filme para que ele possa se hospedar. Mas quando Ladan aparece em sua porta com problemas com o seu chefe, Shakib a esconde dentro da casa. A partir disso, sua vida começa a cair aos pedaços.

A direção de Seyedi pode ser claustrofóbica as vezes, mas funciona totalmente para ajudar a transmitir o tom do filme. Enquanto o design de produção ajuda a reconstruir os horrores dos campos de concentração, é a visão de Seyedi que torna tudo realmente assustador. Ele transmite o horror de estar em um lugar onde o pior sempre está prestes a acontecer. Seyedi também escreveu o filme com a ajuda de Arian Vazir Daftari e Azad Jafarian, mas é decepcionante ver quão incompreensível algumas escolhas do roteiro são, principalmente quando se referem as motivações de Shakib. O desenvolvimento dos personagens é quase nulo, o que torna a experiência algo excruciante. Enquanto o primeiro ato do filme possui uma construção melhor sobre a exploração de trabalho que Shakib sofre, o segundo e terceiro só servem para transformar as emoções dos atores em algo completamente caricato.

No começo, Tanabandeh interpreta Shakib como alguém ingênuo e facilmente manipulado. No desenvolver do filme, ele é capaz de mostrar quão longe uma pessoa pode ir até atingir o seu limite. Tanabandeh deixa as nuances de lado e começa a trabalhar com as emoções como algo intenso e incontrolável, o que torna sua atuação em algo exagerado e teatral. Tudo se torna um grande melodrama, mas que tem êxito em partes por conta do tom dramático do filme. Mas a grande interpretação do filme vem de Hejazi. Ela dá uma áurea profunda e comovente a essa garota de programa que, no fim do dia, só está fazendo aquilo para sobreviver. As cenas onde ela confidencia seus problemas usando a linguagem de sinais são os momentos mais tocantes do filme. Ela é capaz de trazer um tom sereno e sutil, o que funciona como um contraponto a todo exagero do resto do filme.

Embora os seus defeitos sejam os aspectos mais estridentes do filme – e existem vários deles – Seyedi ainda sim é capaz de entregar um filme estimulante e devastador, usando o principio da sobrevivência humana como o centro de sua história.


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