HFF21 – On the Job:The Missing 8

Com uma rica variedade de temas, On the Job: The Missing 8 é um dos filmes mais ambiciosos do ano e faz com que cada minuto das suas três horas sejam eletrizantes.

O filme que serve de sequência para On the Job (2013) funciona mesmo caso não se tenha assistido ao primeiro filme. Aqui o longa conta a história de Sisoy (John Arcilla), um jornalista corrupto que luta por justiça após seus colegas de trabalho serem brutalmente assassinados.

Com uma direção épica de Erik Matti o filme se torna uma vibrante história sobre poder, corrupção e justiça. A corrupção no filme não vem apenas de políticos, o filme mostra como todo o sistema capitalista já é corrompido e com isso, carrega um imenso senso de desespero. Mattia todo momento nos prepara para o pior, porque essa é a visão da sociedade em relação a situação em que se encontra. Essa sociedade sem esperança é um personagem a parte do filme, ao mostrar como todos são corruptos, do menor ao maior, o filme faz com que o espectador também ache a solução incorrigível e que com isso se acomode.

O comodismo e aceitação são sinônimos aqui, no que se refere às famílias que aceitam o destino que lhes foi escolhido e desistem de procurar os corpos dos parentes assassinados, ao comodismo de não lutar pela verdade e pela justiça por achar que é isso é uma causa perdida e fora de alcance.

Esse senso de desistência e falta de esperança dá um peso emocional ao filme, que mostra a falta de respostas e de justiça com aqueles que se foram. Esse peso é carregado com maestria por John Arcilla no papel principal. O personagem carrega uma aura culpada em volta de si, como se carregasse os fantasmas de seus colegas e é como se esse peso fosse a força e a motivação que o coloca na procura de justiça.

As três horas e meia de filme não são sentidas, Matti cria essa sociedade apodrecida e melancólica diante o espectador e consegue criar uma ligação afetiva entre os dois, fazendo com que em momento algum a história fique arrastada. A edição e a fotografia ajudam muito nesse aspecto porque ao utilizar de planos-sequência em algumas cenas, o diretor consegue nos inserir no filme. A abordagem jornalística que o filme possuí também cria boas cenas e serve de instrumento para mostrar como o sensacionalismo fere a sociedade.

Com uma história envolvente, ótimas atuações e aspectos técnicos quase perfeitos, Matti conseguiu construir um filme épico e ambicioso, que ao criar uma conexão afetiva com o espectador, nunca, em momento algum, soa prepotente.


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