VIFF40 – O Livro dos Prazeres

Avaliação: 3.5 de 5.

O Livro dos Prazeres pode errar em muitos aspectos, mas a direção delicada de Lordy o guia para um encanto visual, o que o torna lindo e vai o enchendo de vida conforme acompanhamos os passos de sua protagonista Lóri (Simone Spoladore).

A atuação de Spoladore é muito boa, por mais a do elenco seja péssima e artificial. A melancolia de Lóri é retratada lindamente, e os estágios de sua redescoberta espiritual é pura arte como se ela fosse uma arte em movimento. A sequência mais linda do longa é exatamente quando ela conquista a liberdade, em nenhum lugar tão especial, apenas nas águas de Copacabana.

Baseado na obra de Clarice Lispector, a qual eu não li, o roteiro tem situações incomodas e desconfortáveis de assistir que podem ser facilmente ignorados, mas acabam pesando num contexto geral. Como seu romance com o famigerado “mago”, como ela mesma se refere, é completamente sexual, e quando ela cai de amores por sua lábia insuportável, se torna impossível torcer pelo casal.

Outro fato que poderia ter sido facilmente aperfeiçoado era a sua profissão. As sequências em que ela está trabalhando como professora não beiram ao ridículo, mas incomodam ao bom senso. Afinal, uma professora que trabalha em atiçar o desenvolvimento do senso reflexivo de crianças através do uso de poesias melancólicas é no mínimo sem noção. O roteiro se explica, mas ainda assim é um tropeço. Lóri estava em processo de busca pela própria liberdade e a sua realidade vai se refletir completamente à este acontecimento. E isso é bonito, na verdade, tudo parece poético nesse filme, principalmente a excelente e bem trabalhada fotografia.