O ano de 2025 foi repleto de lançamentos que chamaram atenção não apenas por reunir algumas das melhores performances da década de 2020 até agora, mas também por apresentar longas que ficarão marcados pela ousadia e pelo constante desafio às fronteiras e barreiras culturais que circundam a sétima arte. Do polêmico e sangrento Afternoons of Solitude ao quase consensual grande destaque de Hollywood, One Battle After Another, passando por retornos de grande relevância como os de Alain Guiraudie, Kelly Reichardt e Julia Ducournau, até chegar ao já histórico O Agente Secreto e sua campanha nos festivais e circuitos da crítica, há muito a ser descoberto ao longo desses 20 títulos, escolhidos pela redação da VHS CUT por meio de uma votação com critérios internos de desempate e decisões que sintetizam bem a diversidade do cinema mundial.

20. Misericordia – Alain Guiraudie
Apesar de fazê-lo, Misericordia pouco se apoia na provocação para impressionar o espectador com sua ruma de absurdos, constrangimentos e humor jocoso, que conduzem o filme a direções diversas, quase infinitas. Mesmo quando Guiraudie impõe a seriedade dos acontecimentos, como se nos fizesse duvidar do que acabamos de ver, há algo que ainda impressiona em seu gesto quase indeterminista. Tudo acontece com a mesma naturalidade com que ele filma e organiza a falha moral, o tesão e a consciência infortunada de seus personagens. – Matheus José

19. Mirrors No. 3 – Christian Petzold
Habitam aqui fantasmas do passado que, embora não tenham poder sobre os acontecimentos, manipulam a história e seus personagens pela lembrança. Mirrors No. 3 é uma ode à imagem e, consequentemente, à metáfora que se constroem baseadas nos ambientes. Os personagens, já instáveis, são assombrados pelo espaço – seja ele um quarto que não é o seu, uma sala com um piano ou uma oficina – e, justamente por essa atmosfera muito bem estabelecida, a busca voraz por recuperar o passado parece tão mundana. O resultado é um filme contido que, embora possa não parecer, tem muito a dizer sobre o luto e aquilo que vem depois – perfeitamente amarrados pela direção exemplar de Petzold e uma performance magnética de Paula Beer. – João Dall’Olio

18. Afternoons of Solitude – Albert Serra
Assustadoramente belo, este documentário de Albert Serra sobre o maior toureiro do mundo não hesita em expor os grandes espetáculos visuais em torno das touradas espanholas que, dos bastidores aos cruéis e performáticos abates, estão longe de ser o grande destaque do filme. O verdadeiro espetáculo de Afternoons of Solitude é observar como Serra despe com suas mãos toda a pomposa excentricidade desta tradição cultural ultrapassada, que levou Andrés Roca Rey e muitos outros a entregarem-se à solidão para mantê-la viva, dando o sangue nos ringues para extrair algo de valioso ou relevante nisso quando, na verdade, tudo parece miseravelmente tolo e vazio. – Alan Oliveira

17. The Phoenician Scheme – Wes Anderson
Dentre a vasta variedade de filmes sobre problemas familiares dentro da filmografia de Wes Anderson, The Phoenician Scheme talvez seja o mais interessante. Depois da seriedade inesperada de Asteroid City, agora o surrealismo ultrapassa a estética e se torna a peça central para a construção de seu sucessor. Violento e excêntrico, o filme acompanha Benicio Del Toro interpretando um empresário que, além de viajar entre a vida e a morte, também atravessa o globo atrás de seus familiares a fim de tentar suprimir sua iminente falência. Junto com ele, dois personagens estrambóticos: sua única filha, uma freira jovem que é prometida todas as riquezas do pai após a morte, e um professor de biologia europeu especialista em insetos – interpretado por Michael Cera numa performance coadjuvante inigualável. É um filme que beira o exotico e, o mais importante de tudo, engraçado. Pelas desventuras quase incomuns que os protagonistas passam, a real beleza do filme se encontra em acompanhar a relação familiar de um empresário reservado e neurótico com seus filhos, que, diga-se de passagem, não são poucos. – João Dall’Olio

16. Le Lac – Fabrice Aragno
É um esforço deslumbrante, de beleza, para contrariar uma linearidade narrativa, pois enquanto filma o desenrolar de um casal que se joga em uma corrida de vela que dura vários dias e noites em um grande lago, Fabrice Aragno nunca deixa de mostrar o que os cerca ali: a vida, a luz da cidade ao fundo, os barcos alheios. Se explica por uma sensibilidade que, em vez de mostrar que eles estão sozinhos – e de fato estão –, também mostra que não estão. Como amigo próximo e colaborador de Godard, Aragno impressiona com sua cinematografia, que marcou os últimos anos da carreira do diretor. Há alguns desses acenos aqui, que remetem outrora a Goodbye to Language (2014), mas sempre lembrando que, apesar disso tudo, estamos diante de um filme que exprime seus temas pela naturalidade com que é filmado. Brilha justamente por isso: por ser um filme que já conhecemos e, ao mesmo tempo, por se afastar de tudo o que já sabemos – ou instintivamente sentimos. – Matheus José

15. Sentimental Value – Joachim Trier
Dois comentários distintos, muito fáceis de se estabelecerem de forma falha, mas que, graças à ótima capacidade de Trier, conseguem aqui se complementar de maneira gratificante. Ao retratar uma família marcada por anos de falta de diálogo e amores conturbados, a chave para que esse melodrama não se esvazie e se torne pedante é encontrada em um manifesto sobre o cenário do cinema na atualidade e sobre como ainda existem sentimentos genuínos por trás de todo o império do capitalismo e, principalmente, do streaming, quando se trata da sétima arte. Seria a grande vontade de Trier de misturar esses assuntos de forma tão arriscada a coisa mais interessante de Sentimental Value? – Gabriel Henrique

14. 28 Years Later – Danny Boyle
Por mais que não seja tão bom quanto seus antecessores, principalmente por, às vezes, sofrer com uma introdução exagerada, 28 Years Later se beneficia de duas coisas distintas que, ao mesmo tempo, se unificam: uma abordagem moderna, talvez até no sentido literal da palavra, já que Boyle usou iPhones 15 Pro Max para filmar grande parte do filme, e um anseio por expandir o universo dessa saga sem medo de exagerar em sua história central. Afinal, não é todo dia que vemos o parto de um zumbi em que não nasce um bebê zumbi. O resultado são imagens fortes e memoráveis, proporcionadas por uma das melhores fotografias do ano. – Gabriel Henrique

13. The Mastermind – Kelly Reichardt
A subversão do “filme de assalto” é o que faz o novo filme de Kelly Reichardt tão interessante; aqui não existe a montagem frenética, os diálogos expositivos e nem milhares de cenas de fuga, na verdade, a única familiaridade com o gênero que resta é o iminente e inevitável colapso de todas as coisas. Com um domínio tanto da obra quanto do personagem, Josh O’Connor entrega o que pode ser seu melhor trabalho até hoje, o que já era de se esperar, visto que The Mastermind também pode ser considerado um tremendo estudo de personagem, com JB sendo a única grande figura da história. No fim, é um filme simples, mas feito com tanta maestria que se torna um acontecimento. Um clássico Kelly Reichardt. – João Dall’Olio

12. Materialists – Celine Song
Celine Song tinha apenas uma missão: fazer uma comédia romântica que convencesse o telespectador de que voltamos aos anos 2000, época em que esse gênero era muito mais valorizado em comparação aos dias atuais. E, por mais que talvez não tenha cumprido a parte de agradar as massas, ao menos ganhamos um bom filme. Ao contrário de Past Lives, tudo aqui possui seu lugar: os sentimentos são genuínos e há uma grande sensação de atualidade no ar, um diferencial para uma comédia que claramente não se molda à grande maioria dos filmes desse gênero. É gratificante ver Dakota Johnson brilhar em uma das melhores atuações do ano e da sua carreira, mas é Zoe Winters quem rouba a cena, em um plot que, se fosse mal dirigido, teria prejudicado completamente o resto da experiência. – Gabriel Henrique

11. Final Destination Bloodlines – Zach Lipovsky, Adam B. Stein
Como recepcionar o sexto capítulo de uma saga composta por outros cinco filmes que, embora tenham causado forte impacto na cultura pop, foram em sua maioria rejeitados pela crítica, mas que agora retorna como uma homenagem a gerações traumatizadas pela simples ideia de viajar atrás de um caminhão carregado de toras de madeira? A resposta veio de forma inesperada: tornando-se o filme mais bem recebido da franquia pela crítica e um sucesso de bilheteria. O novo longa não se destaca por ser apenas o melhor entre seus predecessores, mas por parecer, desde o início da saga lá no início dos anos 2000, inevitável. E, ao finalmente acontecer, resgata tudo aquilo que fez de Premonição uma das sagas mais marcantes do terror. – Gabriel Henrique

10. Sirāt – Oliver Laxe
Em um ano cuja mensagem principal dos filmes pode ser lida como o momento em que os filhos estão longe de casa, precisando de seus pais e vagando pelo mundo, Sirāt se destaca por cumprir exatamente aquilo que o cinema propõe: uma autotransformação de si mesmo por meio das imagens. Não são necessários muitos diálogos para entender o que aquele pai e seu filho querem, de fato, ao vagarem pelo deserto: o anseio por recuperar sua família, a vontade de fazer o que é certo, mesmo que isso exija o sacrifício de muitas outras coisas. Trata-se de um filme em que a linguagem não está atrelada primordialmente às imagens, mas ao som, gerando sensações que só o cinema é capaz de permitir. – Gabriel Henrique

9. Twinless – James Sweeney
Por trás de todo o plot twist, das piadas bobas que tornam o filme muito engraçado e de como Dylan O’Brien está ótimo aqui, o mais especial de Twinless é forma como Sweeney filma e conta, da maneira mais exagerada e sincera possível, uma história em que o pertencimento e a relação masculina não ofuscam o que há de mais ridículo e genuíno na amizade entre dois homens, especialmente entre um homem gay e um hétero. A relação dos dois personagens parece nunca soar forçada porque, apesar de todo o amor que um pode oferecer ao outro e, claro, tudo de bom que viveram juntos, o filme não esconde aquela parte dentro de dois homens que, quando exposta, extrai o pior deles. – Gabriel Henrique

8. It Was Just an Accident [یک تصادف ساده] – Jafar Panahi
O vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes 2025 é hipnotizante, tenso e psicologicamente instintivo. Este filme pode ser considerado perfeitamente um primo gringo de O Agente Secreto, com a diferença de que It Was Just an Accident centrou-se em mostrar o que veio depois: as cicatrizes deixadas pelo passado. Além da narrativa política, ambos dividem um humor deliciosamente trágico, que aqui causa uma sensação prazerosa em assistir esses personagens enfurecidos, cegos de raiva, agindo e planejando uma vingança quando, na realidade, nenhum deles é genuinamente capaz de se vingar. Aqui, justiça e moralidade conversam o tempo todo com o espectador, sendo esse o grande destaque do longa. Impossível não se fascinar com as performances de Mariam Afshari e Vahid Mobasseri, ainda mais quando há um cuidado minucioso na direção de Panahi, no qual não há como prever o decorrer da história ou mesmo sua última cena. – Alan Oliveira

7. Sinners – Ryan Coogler
Apesar dos pesares, Coogler entende que a realização das suas promessas durante todo o início do filme só são pagas de fato quando todo o universo de vampiros e aquilo de “acreditar no inacreditável” são postos em prática. A espera e apresentação dos personagens e de suas motivações antes de toda a porradaria são satisfatórias, assim como o uso de todo o dinheiro que lhe foi investido. O filme encontra seu maior êxito naquilo que mais lhe diferencia de um filme de estúdio, a vulgaridade e sinceridade de todo o tema ao redor da ação e dos seus simbolismos que de tão escancarados, acabam sendo sinceros. De fato, uma das grandes produções que o cinema levará além de 2025. – Gabriel Henrique

6. Dry Leaf [ხმელი ფოთოლი] – Alexandre Koberidze
O grande destaque do Festival de Locarno 2025 é um filme que, à primeira vista, aspira a uma simplicidade narrativa ordinária: um pai em busca da filha. A captura de Koberidze, que recorre a imagens analógicas ao longo de suas três horas, revela muito sobre suas escolhas e sobre o modo como o diretor se opõe às armadilhas estéticas e narrativas que se reduzem cada vez mais. Por isso, o filme ultrapassa sua premissa simples, dizendo mais sobre o cinema (o gênero, a forma, a concepção que se dá o texto e sua exposição entre elementos que beiram o desordenado no melhor sentido possível) do que aparenta e desperta, sobretudo, algo que vai além de emoções e sentidos. Não há nada semelhante. – Matheus José

5. Alpha – Julia Ducournau
Alpha parece se estabelecer a partir de características que já se tornaram marcas do cinema de Ducournau. Seu apelo, desta vez, é ainda mais profundo na concepção imagética dos temas que aborda. O texto retorna ao passado para refletir questões impostas no presente, mas que também projetam o futuro. De certo ponto de vista, trata-se de uma obra difícil ao lidar com determinadas imposições que se cristalizaram como signos de grande parte dos filmes que circulam pelos festivais de cinema ao redor do mundo. Não há demérito nisso, pois Ducournau consegue manejar muito bem esse quase gênero – que, em suas mãos, se transforma em algo próprio –, os chamados filmes de festival, inserindo neles suas imposições pessoais de estilo e narrativa. Poucos diretores que seguem esse caminho hoje conseguem fazê-lo com tamanha precisão, e Alpha é um reflexo disso. – Matheus José

4. Weapons – Zach Cregger
Depois de sua estreia no terror em 2022, Zach Cregger retorna com mais um filme que parece um respiro do “pós-horror”. Weapons é a coisa mais interessante no gênero esse ano, justamente pela simplicidade imersiva na qual a história é contada – sim, é óbvio que existe ali uma metáfora, mas não da forma cansativa e tão expositiva que beira o insuportável como outros filmes de 2025 (e de alguns anos anteriores também) fizeram. Além disso, o filme encanta por outro aspecto também: seu elenco. Julia Garner e Cary Christopher são destaques, mas quem realmente rouba o show é Amy Madigan em uma performance verdadeiramente maestral como a antagonista do filme. Weapons tem o absurdismo que o horror clama por – principalmente no final – mas também trabalha uma certa seriedade que em momento algum entra em conflito. Sua estrutura também contribui com isso: no fim, a sensação é exatamente que o mal é essa energia coerciva que se alastra por todas as pessoas, mesmo que não estejam primordialmente envolvidos na tragédia inicial. – João Dall’Olio

3. Die My Love – Lynne Ramsey
Após uma espera de 8 anos, Lynne Ramsay retorna com o aguardado Die My Love que, como de costume, dividiu opiniões desde sua estreia em Cannes. Além de refletir sobre a instituição do casamento e a depressão pós-parto, junto com a posição social da mulher, o filme e seu contexto de lançamento ecoam sobre a unanimidade de opinião que se espera de uma obra nos tempos atuais. Grace, a protagonista do filme, é uma mãe descontrolada. Ela odeia não só a maternidade, mas o que seu casamento se tornou depois do nascimento de seu filho. Lynne escreveu uma mulher difícil e extrema, muitas vezes comparada com a personagem de Gena Rowland de A Woman Under the Influence. Die My Love, no entanto, vence em vários quesitos; principalmente ao mostrar o processo da protagonista na reabilitação. Grace é uma pessoa real, um exemplo de criação de personagem e, mais do que isso, de como traduzir esse personagem para a tela. Die My Love definitivamente será uma das grandes marcas no cinema de 2025. É um cinema que não se vê com frequência atualmente. – João Dall’Olio

2. One Battle After Another – Paul Thomas Anderson
Um dos melhores trabalhos de direção e roteiro na filmografia de Paul Thomas Anderson, One Battle After Another é intensamente frenético e divertido. Quando o filme parte das contagiantes rebeliões do primeiro e do segundo ato, é difícil resistir e não ficar paralisado diante das inesquecíveis sequências de ação com Leonardo DiCaprio, Benicio del Toro e Teyana Taylor, que entregam performances excepcionais e incendiantes no cinema este ano. Uma pena que, em vez de inflamar, esse incêndio acabe se apagando no último ato. Um desfecho simples demais para um filme tão instigante, que conseguiu se radicalizar no campo crítico e político, sem sequer se posicionar politicamente de fato. Ser politicamente isento está longe de ser um demérito – talvez seja a grande jogada de Anderson. É uma obra que discute, frente a frente, o nosso atual cenário sociopolítico, utilizando a violência como voz para falar aquilo que precisa ser dito. – Alan Oliveira

1. O Agente Secreto – Kleber Mendonça Filho
É engraçado pensar no que se tem do dito “cinema nacional” hoje em dia e notar que essa classificação de filmes produzidos em terras tupiniquins se refere não somente à forma, mas também ao motivo pelo qual muitos deles são feitos. Há sempre uma impressão que vigora sobre o Brasil que precisa ser mostrada, um Brasil que precisa ser apresentado por seu teor de realidade social e política, algo que, enquanto para uns se resume ao nada, para outros torna-se uma intenção bem ajustada aos ínfimos do cinema que, aqui, é – ou deve – ser o mesmo de lá.
A verdade é que, em O Agente Secreto, Kleber Mendonça Filho sequer busca estabelecer um par para essas discussões sobre o que o cinema brasileiro – e o Brasil, consequentemente – devem ser, ou sobre como tecer, como narrativas, retomadas e superação de formas. É o cinema como ele, em tese, pode ser em consonância com tudo isso. E talvez isso baste, já que o estilo e o aceno ao seu próprio acervo dão substância para que o diretor efetive não só seus fascínios lógicos e ilógicos, que beiram signos e mitologias do contexto de referências que formam sua escola, como tudo aquilo que já o vimos tratar muito bem em O Som ao Redor e Aquarius.
Aqui, porém, há talvez a culminância de tudo que existe de mais KMF nesse cinema do qual ele faz parte, e que também constrói. Há Recife, há o cinema como coincidência (o filme Tubarão e o tradicional Cinema São Luiz), há Wagner Moura no apreensivo Marcelo, há diálogo, há ação. Há movimento, mas também há calmaria. Tudo quase na dose exata para que haja espaço de haver muito, muito, muito Brasil. E muito KMF. E cinema, que está em todo canto ali. Talvez haja também emoção demasiada de quem vê certa representação, e isso igualmente diz muito sobre o que esse cinema pode ou tenta ser, pois trata sobretudo de aspectos que, por contexto mesmo, instigam essa emoção. É o passado, dores de uma época que persiste até hoje e só Deus sabe lá até quando. E, mesmo se não propusesse tal abordagem com certa literalidade, ela ainda haveria, pois também é sobre algo que persiste. – Matheus José
Listas individuais:
Vitor Miranda
1. Alpha – Julia Ducournau
2. Dry Leaf [ხმელი ფოთოლი] – Alexandre Koberidze
3. The Phoenician Scheme – Wes Anderson
4. Blue Moon – Richard Linklater
5. Sirāt – Oliver Laxe
6. Wind, Talk to Me – Stefan Đorđević
7. The Woman in the Yard – Jaume Collet-Serra
8. Den of Thieves 2: Pantera – Christian Gudegast
9. The Life of Chuck – Mike Flanagan
10. Le Lac – Fabrice Aragno
11. Seven Veils – Atom Egoyan
12. Afternoons of Solitude – Albert Serra
13. After the Hunt – Luca Guadagnino
14. Mirrors No. 3 – Christian Petzold
15. Die My Love – Lynne Ramsey
Alan Oliveira
1. It Was Just an Accident [یک تصادف ساده] – Jafar Panahi
2. O Agente Secreto – Kleber Mendonça Filho
3. Afternoons of Solitude [Tardes de soledad] – Albert Serra
4. Nouvelle Vague – Richard Linklater
5. Left-Handed Girl [左撇子女孩] – Shih-Ching Tsou
6. Weapons – Zach Cregger
7. Die, My Love – Lynne Ramsey
8. One Battle After Another – Paul Thomas Anderson
9. Alpha – Julia Ducournau
10. Little Trouble Girls [Kaj ti je deklica] – Urška Djukić
11. Bring Her Back – Michael Philippou, Danny Philippou
12. Os Enforcados – Fernando Coimbra
13. Misericordia [Miséricorde] – Alain Guiraudie
14. Sorry, Baby – Eva Victor
15. All That’s Left of You [اللي باقي منك] – Cherien Dabis
Felipe Araujo
1. O Agente Secreto – Kleber Mendonça Filho
2. One Battle After Another – Paul Thomas Anderson
3. Sinners – Ryan Coogler
4. Materialists – Celine Song
5. Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery – Rian Johnson
6. It Was Just an Accident [یک تصادف ساده] – Jafar Panahi
7. 28 Years Later – Danny Boyle
8. Twinless – James Sweeney
9. Bugonia – Yorgos Lanthimos
10. Sentimental Value – Joachim Trier
11. Frankenstein – Guillermo del Toro
12. A House of Dynamite – Kathryn Bigelow
13. The Long Walk – Francis Lawrence
14. Weapons – Zach Cregger
15. Fantastic Four: First Steps – Matt Shakman
Gabriel Henrique
1. Enzo – Robin Campillo
2. Twinless – James Sweeney
3. O Riso e a Faca – Pedro Pinho
4. Sirāt – Oliver Laxe
5. Final Destination Bloodlines – Zach Lipovsky, Adam B. Stein
6. Materialists – Celine Song
7. Frankenstein – Guillermo del Toro
8. Eddington – Ari Aster
9. Sentimental Value – Joachim Trier
10. One Battle After Another – Paul Thomas Anderson
11. Weapons – Zach Cregger
12. The Perfect Neighbor – Geeta Gandbhir
13. After the Hunt – Luca Guadagnino
14. What Does That Nature Say to You [그 자연이 네게 뭐라고 하니] – Hong Sang-soo
15. The Colors Within [きみ の 色] – Naoko Yamada
Henrique Gama
1. Die My Love – Lynne Ramsay
2. Sinners – Ryan Coogler
3. Weapons – Zach Gregger
4. Final Destination: Bloodlines – Adam B. Stein, Zach Lipovsky
5. 28 Years Later – Danny Boyle
6. Together – Michael Shanks
7. The Assessment – Fleur Fortuné
8. Bring Her Back – Michael Philippou, Danny Philippou
9. The Housemaid – Paul Feig
10. The Ugly Stepsister [Den Stygge Sstesøsteren] – Emilie Kristine Blichfeldt
11. Fantastic Four: First Steps – Matt Shakman
12. O Agente Secreto – Kleber Mendonça Filho
13. Predator: Bandlands – Dan Trachtenberg
14. Twinless – James Sweeney
15. Chainsaw Man – The Movie: Reze Arc [Gekijô-ban Chensô Man Reze-hen] – Tatsuya Yoshihara
João Dall’Olio
1. Mirrors No. 3 – Christian Petzold
2. One Battle After Another – Paul Thomas Anderson
3. Sound of Falling – Mascha Schilinski
4.The Mastermind – Kelly Reichardt
5. Os Enforcados – Fernando Coimbra
6. April [აპრილი] – Dea Kulumbegashvili
7. Die My Love – Lynne Ramsey
8. Alpha – Julia Ducournau
9. Sentimental Value – Joachim Trier
10. The Phoenician Scheme – Wes Anderson
11. After the Hunt – Luca Guadagnino
12. Sorry, Baby – Eva Victor
13. The Naked Gun – Akiva Schaffer
14. Kiss of the Spider Woman – Bill Condon
15. Weapons – Zach Cregger
Matheus José
1. Dry Leaf [ხმელი ფოთოლი] – Alexandre Koberidze
2. The Shrouds – David Cronenberg
3. Le Lac – Fabrice Aragno
4. Misericordia – Alain Guiraudie
5. Homophobia! – Goyo Anchou
6. Cloud [クラウド] – Kiyoshi Kurosawa
7. The Mastermind – Kelly Reichardt
8. Oeste Outra Vez – Erico Rassi
9. With Hasan in Gaza [مع حسن في غزّة] – Kamal Aljafari
10. What Does That Nature Say to You [그 자연이 네게 뭐라고 하니] – Hong Sang-soo
11. Ariel – Lois Patiño
12. O Agente Secreto – Kleber Mendonça Filho
13. The Woman in the Yard – Jaume Collet-Serra
14. After the Hunt – Luca Guadagnino
15. Vulcanizadora – Joel Potrykus

