Cannes 2025 – Críticas do 2º dia

Missão: Impossível – O Acerto Final (Christopher McQuarrie)

“Uma tensa e conturbada primeira parte dá lugar a algumas das acrobacias mais impressionantes de Tom Cruise até agora, encerrando o filme — e talvez a série — em alta.”

Empire (80/100)

“Talvez não funcione tão bem como um todo quanto em partes, mas, onde falha tecnicamente, compensa na emoção — reforçado pelo simples prazer de estar com nossos velhos amigos da IMF (mesmo que estejam sob uma pressão absurda)”

The Film Stage (75/100)

“Se este for realmente o último capítulo de uma das franquias mais consistentemente divertidas que Hollywood produziu nas últimas décadas, trata-se de uma despedida decepcionante, pontuada por alguns momentos de destaque graças ao incansável ator principal.”

The Hollywood Reporter (60/100)

“É por vezes exagerado, confuso e até absurdo. Mas, na maior parte do tempo, é uma excelente despedida desse universo, uma celebração merecida de tudo o que a série conquistou — e uma última (ao que tudo indica) vitrine para Tom Cruise como um dos maiores astros de ação de todos os tempos.”

Collider (80/100)

“Encerra de forma satisfatória tanto a história de ‘O Acerto de Contas’ quanto a franquia como um todo. Como sempre, Cruise está em plena forma, no centro de cenas de ação insanas. Pena que seu antagonista, Gabriel, não seja um oponente à altura.”

Total Film (70/100)

“É justo dizer que #MissionImpossible oferece cada vez mais emoção e adrenalina, mesmo que os elos entre as cenas de ação estejam cada vez mais frágeis.”

Screen Daily (70/100)

“É bagunçado demais, estranho demais, desajeitado demais. De algum modo, parece longo e sem vida — mesmo sem nunca diminuir o ritmo. Dá a impressão de que a franquia está perdendo o fôlego. Talvez seja hora de Ethan Hunt tirar um merecido descanso.”

Slash Film (50/100)

“Oferece alguns dos momentos mais tensos da franquia, a ponto de você se sentir exausto (principalmente de uma forma boa) após quase três horas de ação intensa.”

USA Today (88/100)

“Com muita frequência, a missão egoísta de fazer Cruise parecer legal entra em conflito com a missão de agradar o público, que é fazer sentido. O equilíbrio entre vaidade e sanidade pende para o lado errado.”

Wall Street Journal (50/100)

“É absolutamente ridículo, mas é um exemplo clássico de entretenimento de grande orçamento no seu nível mais refinado, e eu me diverti muito, apesar dos seus clichês, violência extravagante e militarismo exagerado.”

The New York Times (70/100)

Sound of Falling (Mascha Schilinski)

“Talvez como A Fita Branca, do Haneke, o filme da Mascha Schilinski pareça uma história de fantasma ou até um folk-horror. Tem um clima estranho e incômodo em cada cena, com a câmera subindo e se afastando como se fosse um fantasma. A trilha sonora pulsa e geme, cheia de tensão no ar. É pesado, cheio de medo e tristeza.”

The Guardian (4/5)

“Sound of Falling não ignora o drama pessoal, mas ele sempre aparece filtrado pelo jeito como é vivido. Schilinski tem um toque muito sensível pra mostrar os traumas que marcam suas personagens. Ela tira uma dor enorme dessas experiências silenciosas da adolescência feminina. Usa o cinema pra mergulhar fundo nos sentimentos mais íntimos e faz com que suas personagens sofram justamente por sentirem tudo tão intensamente.”

IndieWire (A-)

“É um filme impressionante, que mistura as vidas de quatro gerações de famílias de um jeito tão delicado e íntimo que parece até coisa de outro plano. E já começou a competição de Cannes deste ano estabelecendo um padrão altíssimo — vai ser difícil algum outro filme bater de frente.”

Vulture

“Sound of Falling, mesmo sendo claramente trágico, não traz nada de novo pras histórias tristes focadas em mulheres que a gente já viu no cinema. O filme não deixa o público criar uma conexão real com as personagens — a única coisa que a gente enxerga nelas é a tristeza, pura e simples. Mas, no fim das contas, parece mais um teste de resistência pra ver até onde aguentamos ouvir, de novo e de novo, que ser mulher é difícil, caso alguém ainda não soubesse disso.”

Collider (50/100)

“A coisa mais parecida que vem à cabeça é A Árvore da Vida, do Terrence Malick, mas aqui é um Malick com toques de Jane Campion e Michael Haneke, alternando entre momentos breves de amadurecimento e cenas pesadas de escuridão e crueldade humana. Com duas horas e meia de duração e sem uma narrativa fácil de seguir, Sound of Falling é feito pra quem tem paciência, mas quem topar embarcar vai ser recompensado com um filme que mostra como o cinema ainda pode se reinventar, desde que existam diretoras como Schilinski com coragem pra isso.”

The Hollywood Reporter

“O fato de essas duas influências artísticas e ambições estarem tão entrelaçadas reflete a chegada recente de Schilinski à cena. Apesar de ser um pouco fechado, Sound of Falling não esconde suas inspirações criativas, misturando elementos visuais e narrativos de Bergman, Tarkovsky, J. A. Bayona, Andrew Wyeth e os irmãos Grimm numa forma que Schilinski consegue chamar de sua.”

The Wrap

Two Prosecutors (Sergei Loznitsa)

“Em Two Prosecutors, talvez por respeito ao texto original, Loznitsa adota um estilo mais direto do que em seus outros filmes — e isso funciona muito bem, como se ele tivesse se proposto a provar o quanto uma estética rigorosa pode transmitir os horrores desumanos de viver sob um regime totalitário. Assistir a Two Prosecutors dá uma sensação quase literária, como ler um clássico curto do Camus, Kafka ou Orwell, com páginas envelhecidas, mas ideias que ainda batem forte e parecem muito atuais.”

Variety

“O diretor ucraniano costuma jogar limpo, abordando quase sempre o mesmo tema: o fracasso absoluto do Estado russo. Two Prosecutors segue essa linha — é um filme de ritmo bem lento e cheio de diálogos, que parece uma comédia de terror que o Aki Kaurismäki nunca fez, ou um filme de horror à la Chaplin sobre a loucura da burocracia num mundo governado por idiotas. Desta vez, Loznitsa não mira só no Kremlin; Two Prosecutors é um dos seus filmes mais acessíveis até agora, com algo a dizer pra qualquer país lidando com partidos autoritários no poder.”

Deadline

“Você não precisa carregar uma foice e um martelo pra sentir o peso da tirania soviética pairando sobre Two Prosecutors, um drama da era Stalin dirigido por Sergei Loznitsa, que também funciona como metáfora pra opressão que assombra a Rússia de hoje. Com uma direção impecável e atuações fortes, essa história sobre injustiça política é carregada de atmosfera — mais exatamente aquela sensação sufocante e claustrofóbica da URSS no auge do Grande Expurgo de Stalin.”

The Hollywood Reporter

“O resultado é um filme de ritmo lento, com cenas longas filmadas de um único ponto, que reproduz a existência apática e sufocante do Estado soviético. Aos poucos, uma sensação incômoda de ansiedade vai se acumulando. A história gira em torno de uma burocracia corrupta e cruel, que sobrevive e se fortalece contaminando quem tenta enfrentá-la com um sentimento profundo de culpa. Há ecos de A Casa dos Mortos, de Dostoiévski, e também de O Castelo, de Kafka.”

The Guardian (100/100)

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